domingo, 1 de fevereiro de 2009

Quando amanhã


Quando amanhã,

na subida mais íngreme daquele monte,

um deus inscrever seu azulado arco

por sobre o fio geral do horizonte

-sobre o esplendor das asas matizadas

pelo calor da lenha a crepitar, pelo fulgor

das cinzas espalhadas rente à terra

como adubo atirado ao amanhecer -

dirás quanto de mim for posse e perda,

sorriso e choro, sabor de doces frutos

ou parca ilusão:


dirás quanto de tudo a vida se revolve,

se incendeia.


João Rui de Sousa
in Quarteto para as próximas chuvas
Imagem© photobucket.com
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