quarta-feira, 16 de junho de 2010

Um poema de amor e água














à flor da tua pele navegam flores,
aromáticas como especiarias.
o meu coração é um peixe,
encarcerado no límpido cofre
das tuas águas - a elas me dou,
como quem regressa a casa
com uma flor nos dedos.
das tuas águas se nutrem
todas as árvores que conheço,
e eu vou pela tua correnteza,
como a barca de um rei morto
passando à ilha de além.
sempre soube que eras
um afluente do mar.

Gonçalo B. de Sousa in DiVersos, nº 10

Pintura (C) Lorenzo Mattotti
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