sexta-feira, 10 de abril de 2009

Cavatori


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Com o sol a arder-lhe sobre a cabeça e os olhos apenas refrescados pela longínqua presença do Mar Tirreno, o cavatori apalpa a superfície do mármore, dá-lhe toques, como que a chamar para o grande dormitório dos heróis, até que dá com o lugar onde espetar uma estaca de ferro. A ela atará a ponta de uma longa corda; a outra ponta cinge-lhe a cintura, e assim descerá pela encosta mais lisa e perfeita da pedra para marcar com maço e cinzel os cortes que delimitarão a estátua de Alexandre Magno e do seu cavalo. Cem metros mais abaixo, os companheiros observam-no, talvez mastigando pedaços de " toucinho de marmorista", curado sem outro condimento além do alecrim e do vento das pedreiras, ou talvez olhando de viés para uma estampa de Jesus onde se lê : Protege o nosso trabalho. [...]


in Luis Sepúlveda, As Rosas de Atacama
Imagem (c) Carlo Galleni
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