domingo, 28 de agosto de 2011

epílogo

O céu baço enevoa-se de alfombras...
E o Pintor das Penumbras, já sem tintas,
Larga a chamar o mágico das sombras!
E o grão Pintor das coisas mortas, pinta-as...

"Vem com os tons de nuvem para leste,
Por onde o sol viu o dia mais contente"
Diz-lhe o das tintas vagas! - Tarde agreste...
Vão cheias de oiro as portas do Poente...

"Detém o braço dos heróis, o músculo
À raiva das enxadas que eu contemplo!
Dá-lhe o teu oiro, ó névoa do Crepúsculo...

"Vês as sombras da Tarde? Anda acendê-las
À luz da minha sombra...Olha, o meu templo
É um negro céu com lâmpadas de estrelas".

Afonso Duarte, Alegoria da Tarde II


Fotografia(C) Avelaneira Florida
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