domingo, 1 de maio de 2011

Maio

Maio, Maduro Maio


Maio maduro Maio, quem te pintou?


Quem te quebrou o encanto, nunca te amou.


Raiava o sol já no Sul.


E uma falua vinha lá de Istambul.


Sempre depois da sesta chamando as flores.


Era o dia da festa Maio de amores.


Era o dia de cantar.


E uma falua andava ao longe a varar.


Maio com meu amigo quem dera já.


Sempre no mês do trigo se cantará.


Qu’importa a fúria do mar.


Que a voz não te esmoreça vamos lutar.


Numa rua comprida El-rei pastor.


Vende o soro da vida que mata a dor.


Anda ver, Maio nasceu.


Que a voz não te esmoreça a turba rompeu.

José Afonso
Imagem (C) Google Images
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