domingo, 13 de setembro de 2009

Antes de Amar-te

Antes de amar-te, amor, nada era meu



Vacilei pelas ruas e as coisas:


Nada contava nem tinha nome:


O mundo era do ar que esperava.


E conheci salões cinzentos,


Túneis habitados pela lua,


Hangares cruéis que se despediam,


Perguntas que insistiam na areia.


Tudo estava vazio, morto e mudo,


Caído, abandonado e decaído,


Tudo era inalienavelmente alheio,


Tudo era dos outros e de ninguém,


Até que tua beleza e tua pobreza


De dádivas encheram o outono.


Pablo Neruda
 
Imagem (C) Google Images
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