intenso...
diferente...
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Imagem (C) Google Images
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domingo, 2 de setembro de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
sábado, 19 de março de 2011
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Regresso de Além Tejo...
Aprendamos,amor, com estes montes
Que, tão longe do mar, sabem o jeito
De banhar no azul dos horizontes.
Façamos o que é certo e de direito:
Dos desejos ocultos outras fontes
E desçamos ao mar do nosso leito.
José Saramago, Aprendamos,amor in Os Poemas Possíveis
Imagem (C)vates.blogs.sapo.pt
Que, tão longe do mar, sabem o jeito
De banhar no azul dos horizontes.
Façamos o que é certo e de direito:
Dos desejos ocultos outras fontes
E desçamos ao mar do nosso leito.
José Saramago, Aprendamos,amor in Os Poemas Possíveis
Imagem (C)vates.blogs.sapo.pt
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Scriptum
Poderá a imagem
descrever o rosto?
e a voz explicar
a palavra?
Fala-me dos países
sem os nomear
tu sabes que é inútil
repartir as águas
Diz-me apenas
a altura das searas
perto do rio
se o vento tornou
a encher de folhas
o pátio da casa
verde
[...]
in Os Dias Contados
José Tolentino Mendonça
Pintura (C) Matisse
terça-feira, 10 de novembro de 2009
epígrafe
De palavras não sei. Apenas tento
desvendar seu lento movimento
quando passam ao longo do que invento
com pre-feitos blocos de cimento.De palavras não sei. Apenas quero
retomar-lhes o peso a consistência
e com elas erguer a fogo e ferro
um palácio de força e resistência.
De palavras não sei. Por isso canto
em cada uma apenas outro tanto
do que sinto por dentro quando as digo.
Palavra que me lavra. Alfaia escrava.
De mim próprio matéria bruta e brava
- expressão da multidão que está comigo.
José Carlos Ary dos Santos
Imagem (C) Escher
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Celebrar a POESIA
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
domingo, 13 de setembro de 2009
Antes de Amar-te
Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.
Pablo Neruda
Imagem (C) Google Images
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.
Pablo Neruda
Imagem (C) Google Images
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Poesia para a noite...
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Na noite que chega...

Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
o plantador de naus a haver,
e ouve um silêncio múrmuro consigo:
é o rumor dos pinhais que, como um trigo
de Império, ondulam sem se poder ver.
Arroio, esse cantar, jovem e puro,
busca o oceano por achar;
e a fala dos pinhais,marulho obscuro,
é o som presente desse mar futuro,
é a voz da terra ansiando pelo mar.
Fernando Pessoa,
Dom Dinis in Mensagem
Pintura (C)Gustave Courbet-The Edge of the Sea at Palavas
sábado, 6 de junho de 2009
"Rapinanço" assumido...

e "rapinei" com precisão esta "memória inenarrável"...
porque é preciso NÃO ESQUECER!!!!!!
mas , para não ficar com "azia",
achei por bem purificar-me com o sentir dos poetas!!!!

O que me tranquiliza é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando,
confusos, a perfeição.
Clarice Lispector, Precisão
Pintura (C) Bachelier
domingo, 10 de maio de 2009
poesia para a tarde...

Quando por fim a cifra infinita
que dois mundos combinam
esplender inteiramente seus motivos
a cada um caberá olhar
na lâmina de ouro
um nome inefável
o que buscámos sem um gesto
o que dissemos sem uma palavra
José Tolentino de Mendonça,
Lilases in A Noite Abre Meus Olhos
Pintura (C) Danny Han-Lin Chen, Golden River
sábado, 11 de abril de 2009
AOS MEUS AMIGOS, NESTA MESA!!!!!

Não tenho mais nada senão as asas.
Quando subo os degraus do firmamento,
É com elas que subo e que sustento
O peso bruto desta incarnação.
Asas de penas que me vão nascendo,
E que voam depois, desconhecendo
Que fúria azul as levantou do chão.
Miguel Torga, Ave Poética
in Poesia Completa
Imagem (C) Moira Metcalfe,Blue Fury
terça-feira, 10 de março de 2009
AMOR

Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões, Sonetos
Aguarela © Frédérique Fourquet
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
pego nas palavras do poeta...
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Quando amanhã

Quando amanhã,
na subida mais íngreme daquele monte,
um deus inscrever seu azulado arco
por sobre o fio geral do horizonte
-sobre o esplendor das asas matizadas
pelo calor da lenha a crepitar, pelo fulgor
das cinzas espalhadas rente à terra
como adubo atirado ao amanhecer -
dirás quanto de mim for posse e perda,
sorriso e choro, sabor de doces frutos
ou parca ilusão:
dirás quanto de tudo a vida se revolve,
se incendeia.
João Rui de Sousa
in Quarteto para as próximas chuvas
Imagem© photobucket.com
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Estou olhando os frutos repousados
e as pequenas sombras alongadas
sobre a mesa de madeira e pedra.
A brisa entra por uma porta antiga.
Uma pétala branca cai de uma flor branca.
Sou, mais do que sou, estou
na perfeição das coisas que me envolvem.
Repouso na sinuosa exactidão.
António Ramos Rosa
in A Rosa Esquerda
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Faço um desenho de palavras com as vértebras
da terra, no mais fundo do chão, onde
começo a procurar o rio secreto
da noite, seguindo as correntes silenciosas
do corpo.É um trabalho que me irá ocupar
por inteiro; e quando chegar ao fim, vendo abrir-se
o estuário do sol nos braços secos da manhã,
levantar-me-ei da insónia em busca de uma revelação
de margens.[...]
da terra, no mais fundo do chão, onde
começo a procurar o rio secreto
da noite, seguindo as correntes silenciosas
do corpo.É um trabalho que me irá ocupar
por inteiro; e quando chegar ao fim, vendo abrir-se
o estuário do sol nos braços secos da manhã,
levantar-me-ei da insónia em busca de uma revelação
de margens.[...]
Nuno Júdice
in As coisas mais simples
Imagem ©Saito Norihiko
domingo, 11 de janeiro de 2009
momento de partilha...
sábado, 27 de dezembro de 2008
No mistério do sem-fim
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+Mart%C3%AD+Carbonell.jpg)





cruza-se o beijo salgado
que atravessa lábios marítimos
rumo às orlas e outros mares.
No cruzamento, a espuma
segredado pelo bálsamo
embalsamado pelo amor.
Pode o beijo doirar na malha
de um sol quente e confortável
ou pode o beijo ser prata
nas alamedas da luz lunar.
E sempre que se dá, plana
preguiçosa, uma gaivota
bem rente ao fresco do beijo,
quando se cruzam as águas.